terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A encruzilhada
tracei meu caminho
(desconexo)
rumo ao destino
que vislumbrei em sonhos
a chegada
não previ percurso
não previ encruzilhadas
(?)
(Eduardo Barbossa, do livro "O compendium da queda - Impacto da realidade" - Inédito)
sábado, 28 de janeiro de 2012
Minhas simplicidades
alegria quando o pai pagava
pastel de vento
e laranjinha
(de garrafinhas pequenas,
que não vendem mais)
felicidade completava-se
com livrinho de bolso
(no caminho de volta pra casa
a cabeça montava histórias
pelo desenho da capa)
época de mundo imutável
eterno
pai, mãe, irmãos e avós
nossa casa, a cidade e o pastel com laranjinha
capas de livros
para sempre
na alma
(Eduardo Barbossa, do livro "Minhas Simplicidades" )
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
O inferno
(chaves na porta)
não saem?
não sabem que estão lá
pensam que lá fora
pode ser pior
(Eduardo Barbossa, escrito para o blog)
não saem?
não sabem que estão lá
pensam que lá fora
pode ser pior
(Eduardo Barbossa, escrito para o blog)
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Lethargus
estagnação
enraizada em financiamentos
falta de oportunidades
auto-omissão
desespero contido
frustração
desvalorização
(sussurro)
certa timidez
medo desfocado
apego a falsa segurança
penumbra
sono
(Eduardo Barbossa, do livro "O Auto do Destrutivo")
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Típico zumbi caucasiano
Alvo e calvo
zumbe aumento
(bem baixinho)
pés que andam em direções opostas
funções mecânicas
L. E. R.
rotina pré-programada
(para toda a sobrevida)
- Espere!
aconteceram alguns fatos
só não sei se tiveram importância:
acho que meu filho nasceu
ou será que meu filho casou?
(faz diferença?)
talvez a esposa tenha me traído
ou só me abandonado por tédio
pode ser que ainda esteja comigo
(devo lembrar
de olhar para o lado
na cama)
não tenho certeza
tudo ficou mais fácil
depois do computador
no tempo da máquina de escrever
eu tinha que gastar papel
para fingir trabalhar
(não existia internet)
na verdade
a última coisa que lembra
é a alegria que teve
quando passou no concurso público
(depois o escuro)
(Eduardo Barbossa, do livro "Bestiário Antropomórfico")
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Romeu & Julieta
ela doce
eu salgado
por vezes
ela é a salgada
e eu sou o doce
não importa
doce com salgado é delicioso
é sabor proibido
excitante
vale Mercúcio sacrificado
Tebaldo morto
ela goiabada perde um pouco
eu queijo também
agora somados em nova iguaria
(veneno irresistível ao paladar)
nós: Capuleto e Montecchio
mesclados em total prazer
ao final do quinto ato
caminhamos juntos
para a eternidade
de sobremesas e sobrevidas
(Eduardo Barbossa, do livro "Minhas Simplicidades" )
domingo, 22 de janeiro de 2012
Terra das fadas
Insuportáveis
são os erros de nossos pais
desmistificados
nus
em humanização
o referencial incólume
devastado
sinto carência afetiva
estou pequeno
diminuo
mais
e mais
até ficar minúsculo
em um
grande
salão cinza
fico solitário
disperso
frio corrosivo no peito
(não me caem as lágrimas congeladas nos olhos)
inanimado
por horas a fio
a fazer malabarismos
com uma luz vermelha
(percebo seus sapatos sujos de barro)
a luz é pulsante
seu rosto conhecido
sou eudevolvo a luz ao peito
bato a casaca
(o pó que sai brilha)
respiro fundo
e dou meu primeiro passo
para fora de Faerie
(Eduardo Barbossa do livro "Breve tratado sobre afrenia quotidiana")
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Vultos
Pela janela do ônibus
percebo fantasmas
eles esperam no ponto
pela sua condução
(sabe se lá para onde)
também estão pelas ruas
nas calçadas
nos semáforos
nas praças
seus olhos opacos
inexpressivos
cortam-me
fundo
(não os ressuscitarei com meus centavos)
invisíveis
numerosos
temíveis
natimortos a sugar tetas secas de cola
algo move-se entre os jornais e papelões
puxão na barra da calça
tão comum que é despercebido
automático não
não
e NÃO
compreensivelmente renegáveis
de relance vultos
a purgar
e queimar
na esquina
(Desenho "Vultos" de Eduardo Barbossa, também do livro "Bestiário Antropomórfico")
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Impressionismo castigado
.
.
.
meu desenho a giz de cera
transmutado em Monet
impressionou-me tanto
que o achei real
e vivi assim por bom tempo
impossível descrever o susto
ao ver que a verdade
era Sebastião Salgado
e doce
além do açúcar
só a efêmera inocência infantil
ela sabia disso
eu custei a ver
e como consolação
de quinze em quinze dias
vou buscar
meu filho pra passear
(a vida não é mais
do jeito que sonhei)
.
.
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meu desenho a giz de cera
transmutado em Monet
impressionou-me tanto
que o achei real
e vivi assim por bom tempo
impossível descrever o susto
ao ver que a verdade
era Sebastião Salgado
e doce
além do açúcar
só a efêmera inocência infantil
ela sabia disso
eu custei a ver
e como consolação
de quinze em quinze dias
vou buscar
meu filho pra passear
(a vida não é mais
do jeito que sonhei)
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(Eduardo Barbossa, do livro "Breve tratado sobre afrenia quotidiana" )
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Reflexões sobre a velocidade das horas
.
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é bom sentir a luz do sol da manhã
volto a minha filha recém nascida
que do escuro do ventre
foi á claridade da aurorae acalmou-se com o raiar do dia
a mãe cansada
desejosa de mão firme para segurar
olhou-me com ternura
disse:
é nossa filha
e sorriu
(com tal beleza
que nem Leonardo
saberia retratar)
passamos a vibrar
em tom de consciência superior
soávamos pais
e tudo mudou
discursos
visões
ações
num fenômeno estarrecedor
inexpressível em verso e prosa
(só se permite sentir)
nos reconstruímos
em risadinhas
balbucios
carinhos
e abraços
ensinado
repreendendo
e aprendendo
é impressionante como o dia passa rápido
(Eduardo Barbossa – Breve tratado sobre afrenia quotidiana)
Minha frígida amada
.
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o senhor Inverno
entrou e sentou
abriu largo sorriso
perguntou sobre um homem
chamado Abril
...............................não o conheço
.................................-respondi-
...........................mas conheço alguém
............................chamado Outubro
ele arregalou os olhos azuis
furioso
gritou
.........................não sejas insolente!
.......................pelo visto és daqueles
........................inflamados amantes
eu sorri
ele soprou frio
ergueu-se da poltrona
sentenciou-me:
.............................foi bom
...........................foi quente
..............agora irás possuí-la em meu leito
................teu fogo a forja não suprirá
..........a ferradura do Zéfiro estará inacabada
.....................e tu jamais voarás
............tua ancora pesará mais a cada dia
..............tua corrente há de fortificar
............junto com tua responsabilidade
saiu batendo a porta
chorei por dento
por fim aceitei a culpa
afinal
eu não teria coragem
de anunciar a chegada
do senhor maldito Inverno
ao casto e ainda quente Abril
(ele contaria a Maio e eu nunca poderia me casar)
.
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.(Eduardo Barbossa – Breve tratado sobre afrenia quotidiana)
Busca
aonde vou
buscando uma paixão interminável?
(indeterminável)
sem perceber
o que não se torna amor
se torna nada
(Eduardo Barbossa - Minhas Simplicidades)
Breve Passeio
.
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.
o corpo nu se desprende em vôo
....................................deliberadamente
............................... de sua própria carne
.
o corpo nu que paira no alto
corpo nu que espreita do alto
.
devaneia materialidade
desvenda a matéria
.
compreende tudo
.......................cai
.............esquece tudo
.
...........volta às roupas
.
.
.
(Eduardo Barbossa - Minhas Simplicidades)
APOTEOSE
I
mesclar minha alma com a realidade
mesclar meu corpo ao etéreo
sentir o universo
comunhão
tudo e nada
sincronismo
tempo e sonho
(morrer)
.
.
II
mesclar minha alma com a realidade
mesclar meu corpo ao etéreo
dissolver minha essência em terra úmida
derreter pensamentos
carne e sentimentos
viver: contrario de existir
.
.
III
mesclar minha alma com a realidade
mesclar meu corpo ao etéreo
penso no mesclar:
alma
realidade
corpo
etéreo
penso no uno
a mescla
apoteose
.
e Gênesis 1:27
.
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(Eduardo Barbossa - Minhas Simplicidades)
Voltando a ativa
Depois de algum tempo parado o eduardobarbossa.blogspot.com está voltando ao ar.
Um grande abraço a todos.
Eduardo
Um grande abraço a todos.
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